Depressão Pós-Parto: relato de experiência
- 2 de set. de 2017
- 5 min de leitura

Vou tentar descrever a experiência mais difícil que vivi até hoje!
Eu e meu marido somos casados há quase nove anos, curtimos muito a nossa vida a dois, mas, então, chegou o momento de ter um bebê e passamos a planejar a chegada do tão sonhado filho.
Eu engravidei e tive uma gestação maravilhosa; tudo transcorreu bem. Curtimos cada minuto da gestação, planejamos o quarto do nosso bebê, fizemos o enxoval, tivemos, também, o nosso chá de fraldas.
O parto também foi tranquilo; tudo transcorreu bem! João Gabriel nasceu saudável. Deus nos concedeu um filho perfeito e saudável!
Mas os primeiros meses foram muito difíceis: João chorava muito! Praticamente não dormia de dia; à noite, acordava a cada duas horas e já chegou a acordar a cada hora. Nosso bebê tinha muitas cólicas também; tomava remédio para cólicas todos os dias e, mesmo assim, ele continuava tendo cólicas (elas só se encerraram com quatro meses!).
Meu leite foi ficando pouco e precisei complementar com Nan; eu achei que, talvez, ele chorava muito de fome, mas, mesmo depois de introduzir o complemento, ele continuava chorando e dormindo pouco.
Os dias foram se passando, e eu fui ficando preocupada, ansiosa, me sentindo profundamente culpada, achando que, por ter trabalhado muito, meu bebê havia nascido estressado.
Eis que surgiu em mim um terrível sentimento de culpa! Essa culpa me corroía por dentro. João chorava e eu também. Quantas vezes amamentei ele chorando profundamente!
Como João dormia pouco, passei a pesquisar sobre o sono dos bebês; tentei várias técnicas para fazê-lo dormir mais. Comprei até um Ebook sobre o sono, mas nada adiantava.
Fui ficando desanimada, chorava muito, e fui ficando com insônia; demorava a pegar no sono e só conseguia dormir poucas horas. A insônia foi piorando e, como fruto dela, veio uma terrível ansiedade; senti coisas terríveis – não consigo explicar com palavras –, minha mente estava ansiosa, perturbada, angustiada – achei que fosse perder o juízo!
O salmista Davi também passou por um processo depressivo e, agora, posso entender perfeitamente o versículo: "Por que estás abatida, ó, minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele que é o meu socorro, e o meu Deus. Salmos 42:11"
Tentei tomar algumas coisas caseiras para melhorar a ansiedade (chás, ômega 3, Passiflora, etc.), mas de nada adiantou!
Até que tomei uma decisão: resolvi me consultar com uma psiquiatra. Ela examinou minha situação e disse que eu passava por uma crise de ansiedade, receitou um antidepressivo para dormir; passou uma dosagem bem baixa. Comecei a tomar o remédio e a dormir bem – como foi maravilhoso voltar a dormir!
Ela pediu que eu tomasse o remédio por 01 mês e depois entrasse em contato com ela. Quando estava perto de completar 01 mês, fui ficando com medo, e tinha dias que, mesmo tomando o remédio, tinha insônia; tive medo de parar o remédio e não conseguir dormir. Também, às vezes, sentia uma angústia e muitas preocupações – ficava pensando no meu histórico familiar, pois, na minha família, há casos de depressão e outros transtornos mentais – tive muito medo!
A psiquiatra pediu que eu continuasse tomando o remédio por mais 01 mês. Continuei tomando, quando completaram 02 meses, liguei para ela porque estava me achando bem e resolvi que era hora de parar. Ela me informou que não precisava fazer desmame, porque eu estava tomando uma dosagem muito baixa e, então, segui a orientação médica e suspendi o remédio de vez.
Depois que parei de tomar o remédio, dormi três dias bem e, logo depois, passei a experimentar novamente dias com insônia. Nos dias em que eu tinha insônia, era muito difícil para mim; eu tentava dormir e não conseguia, ficava olhando para o relógio, vendo as horas passarem; chorava muito, parecia um pesadelo! Eu me sentia presa em um pesadelo!!!
Durante esse tempo, eu questionei muito a Deus, eu orava muito pedindo ao Senhor para ficar bem; eu dizia assim: "Senhor, me devolva a paz, aquela paz que excede todo o entendimento que já experimentei um dia. Eu não aguento mais, não tenho mais forças [...]"
Mas, então, eu fui pedindo força a Deus e tentando ter leveza, fui tendo paciência, esperando meu corpo voltar ao normal. Comecei a me exercitar, fazia 20 minutos de esteira todos os dias, mesmo quando não dormia bem na noite anterior. Tentei preencher minha mente com pensamentos bons, tentava levar uma vida normal, saía, recebia amigos em casa, ia para a igreja etc.
O tempo foi passando, e eu fui melhorando, a insônia melhorou, e voltei a ter paz!
Hoje vejo que atravessei um deserto, foram sete meses de luta! Consegui atravessar o deserto e, hoje, me sinto mais forte, mais confiante. Tenho pedido a Deus que me fortaleça ainda mais, tenho pedido saúde física e mental para cuidar do meu bebê e da minha família.
Nesse período de luta, tive a ajuda da minha mãe, ela foi para mim como uma coluna forte; me ajudou tanto e ainda me ajuda a cuidar de João. Louvo a Deus pela vida dela e pela do meu marido que, também, foi muito importante – quantas vezes eu acordei meu esposo dizendo que não conseguia dormir ou ele acordou me ouvindo chorar profundamente; ele me abraçava e me ajudava a ficar calma.
Agradeço, também, aos amigos, que nos ajudaram, com orações e com palavras de apoio. Tive grande apoio de uma amiga que me incentivou a tomar o remédio, eu relutei a tomar; tive medo, e ela me ajudou a entender que, naquele momento, eu precisava de medicação. Tive, também, a ajuda de outra amiga que passou por uma depressão pós-parto; ela me deu preciosos conselhos, como foi importante ver ela bem; eu pensava: "se fulana venceu, eu também posso vencer".
Nós ficamos reservados e pouquíssimas pessoas ficaram sabendo desse momento difícil e, inclusive, tem pessoas próximas da minha família que não sabem do que eu passei – não quis ser motivo preocupação.
Graças a Deus, venci! Peço ao Senhor que me capacite a vencer outras batalhas, o Senhor esteve comigo em cada instante, e sei que sempre estará.
O sono de João melhorou a partir dos três meses de idade e, hoje, dorme bem; dorme à noite toda ou acorda uma vez. Durante o dia, ele tira as sonequinhas! Tudo é questão de adaptação, os três primeiros meses do bebê se constituem num momento de adaptação dele ao mundo.
No pós-parto, as mães experimentam uma queda brusca de alguns hormônios. Isso, aliado a alguns fatores, como: dificuldades para amamentar; bebês com problemas de saúde; já ter tido depressão, ou, algum outro problema de saúde mental; não ter família ou parceiro por perto etc., podem resultar em transtornos psiquiátricos. Existem três tipos de transtornos: O baby blues (tristeza pós-parto), a depressão pós-parto e a psicose pós-parto. Segundo Reporter Unesp, a maternidade ainda é um assunto muito “glamourizado”. Com tantas informações sobre a beleza de ser mãe e o sentimento de ter um novo bebê em casa, muitos não se atentam sobre as várias mudanças emocionais e físicas pelas quais a mulher passa durante a gravidez e no pós-parto. Segundo uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e publicada na revista científica Journal of Affective Disorders, uma em cada quatro mulheres no Brasil sofrem de depressão pós-parto.

É importante que as mães recebam apoio da família, e é importante que os familiares fiquem atentos ao comportamento da mãe, pois há casos em que a mãe precisa urgentemente de tratamento médico adequado. Se você é mamãe e está passando por algum dos problemas mencionados, não sofra sozinha! Procure ajuda!
Fonte da Imagens:
Disponível em: <https://www.bloglovin.com>. Acesso em 14 de out. 2018
Disponível em: <http://www.aconchegoamamentacao.com.br/index.php/baby-blues-depressao-pos-parto/>. Acesso em 14 de out. 2018
Referências: Reporte Unesp. Disponível em: http://reporterunesp.jor.br/depressao-pos-parto/. Acesso em: 14 de out. 2017
















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